Em contra-mão
Um conto de Ana Teresa Silva publicado na edição 13 da revista Egoísta, em Dezembro de 2002, sob o tema Amor, junto de outros contos/ textos de nomes consagrados da literatura e cultura portuguesa, como Maria Velho da Costa ("Um Amor de cão"), Agustina Bessa-Luís ("Eros"), Hélia Correia ("Absolutamente Intransmissível"), Inês Pedrosa ("Só Sexo") e Maria Teresa Horta ("Chamem-me Lilith"), e um portefólio exclusivo da pintora Paula Rego.
Esta edição é considerada uma das mais ricas da história da publicação da revista Egoísta, que revolucionou o design editorial em Portugal e venceu dezenas de prémios internacionais pela sua concepção gráfica ousada e curadoria de textos de alta qualidade. O projeto, liderado pela Estoril Sol, tratava cada edição como um objeto de arte colecionável.

Dado ser uma edição que não se encontra disponível, a pedido, resolvi deixar aqui o meu conto que nela foi publicado.
EM CONTRA-MÃO
Apesar de ser uma realidade distante, ainda me chegam os ensinamentos índios pela mão do meu avô, a galope nas suas palavras, desenhados nas suas rugas a preto e branco, dramaticamente envolventes. Chegam-me aos Domingos à tarde, levados por filmes que já têm barbas ou pelas páginas, gastas pelo tempo e pela dedicação, dos livros que encontro nas estantes da casa do meu avô.
Não se enganem. Eu não vivo a minha vida dentro de um quadro emoldurado com madeira religiosamente trabalhada, sentado em pesados sofás de cabedal escuro. A minha realidade pinta-se em capas Yorn, longos chats na net, música electrónica, grunge, house drums and base, uma vida em velocidade ultra-sónica, tudo feito e nada para fazer, tudo muito dread, piercings e tatuagens no corpo, Macdonald's ao almoço e pastilhinhas depois do jantar. Chega a ser hilário, para muitos dos meus amigos, o tempo que passo com o meu avô, quando aos olhos de todos eles essa terceira idade é a idade da prateleira escondida no sótão, onde se acumulam teias de aranha e muito pó, e onde nós só vamos uma ou duas vezes por ano, quando o Rei ou o Pai Natal fazem anos.
De vez em quando penso que ando disfarçado de puto de vinte anos porque, apesar de ninguém desconfiar de nada e o meu corpo se vestir à moda, a minha mente anda sempre a fugir de tudo o que é descartável e do que é fast. Às vezes até tenho medo de abrir a boca, não vá ela denunciar-me.
Baseado nos filmes que já vi, talvez eu tenha sido congelado no passado e acordado para esta realidade, para a qual fui preparado, mas não me pertence. Ou então, estive a hibernar. Ou fiz um pacto com o Diabo, para que o meu corpo nunca perdesse esta juventude. Sou um espião, um policia à paisana introduzido nas linhas inimigas, a investigar quem anda a meter-se com os pózinhos errados. Mas ao mesmo tempo não consigo fugir à PlayStation, aos telemóveis, às garrafinhas Redbull, aos preservativos, às viagens prolongadas na net, a essa rede mundial onde todas as mentes se revelam e todas as caras se escondem.
O meu avô fica cansado só de me ver parado frente ao computador, horas a fim. Tirar-me desse espaço onde solitariamente engano a solidão, é um desafio que ele gosta de ganhar. Inventa-me passeios, exposições, histórias do arco-da-velha, para desentorpecer um corpo que, diz ele, vive como um velho. Sinto que, sem querer, contribuo para que a sua mente efervescente nunca saia do estado de ebulição. Às vezes imagino que, enquanto estou ausente, ele fica a magicar o próximo enredo com o qual me vai envolver, marcando-me invariavelmente como um Zorro com a sua espada.
Ontem arrasou-me. Estou habituado a que me surpreenda, mas desta deixou-me fechado em mim mesmo durante muito tempo, sem que me conseguisse desligar daquela ideia um só segundo, pior do que o poderoso íman dos jogos de computador.
Dantes os anciãos índios eram o pilar de uma tribo, os poderosos conhecedores da vida, aos quais qualquer jovem como eu recorreria face a uma dúvida, um problema, uma encruzilhada. Se quando o Pedro, meu amigo das curtes, me conta dos seus problemas com a Rita, eu lhe dissesse para ir falar com o seu avô, os seus olhos entrariam em órbita durante tempo suficiente para que a nossa relação nunca voltasse ao normal.
Os pais não são chamados para as nossas vidas, quanto mais os avós. E se alguém se lembra que eles já tiveram a nossa idade e muitas outras idades pelas quais nunca passámos, há sempre a resposta infalível de "que eram outros tempos e outra mentalidade". Eles estão noutra e estão tanto noutra que também não se lembram de perceber a nossa.
O meu avô deve ter sido um ancião índio noutras vidas. Ficou-lhe no sangue, quente e escuro, uma sabedoria milenar, quiçá universal. Está sempre a elaborar formas de me conquistar, a mim, "um pirralho que pensa que já é homem", diz-me ele com um sorriso, como para me fulminar no início das conversas. Eu respondo-lhe que "pirralho" já não se usa, que ele está de todo desactualizado nas ofensas. E com estas nos ficamos, olhos quentes e brilhantes, calmamente vidrados um no outro.
Desta vez propôs-me, sem mais nem menos, inverter a ordem da vida. Como se eu e ele, e mais umas químicas inventadas por mim, promissor cientista, pudéssemos alterar a evolução natural das coisas, pudéssemos trocar as voltas a Darwin e a Deus.
Todo este meu discurso intercalo com enormes gargalhadas que vocês, pela distância, não podem ouvir. Noutro lugar escreveria :-))), mas, aqui, isso não faz o mesmo sentido. Sinto-me na posse de um conhecimento ilegal, de uma fórmula tão visionária que poderiam querer queimar-me na época da inquisição ou silenciar-me na época da liberdade de expressão.
O mal destas conversas é que não encontro mais ninguém para enredar na mesma teia. Com o meu piercing na sobrancelha esquerda e a minha fatia de cabelo colorida, ninguém me levaria a sério. E é mesmo por isso, porque não tenho cara para aparecer ao lado destes conteúdos, que me perco em chats e fóruns na net e onde encontro outras almas que me compreendem.
Pois é. Desta vez o meu avô excedeu-se. Mas não terá ele razão?
Se tivesse ouvido nas notícias que, ao mesmo tempo, em todo o mundo, milhares de pessoas tinham visto os tais objectos não identificados e algumas, as eleitas, tinham tido encontros mais próximos com extraterrestres, eu pensaria que o meu avô tinha sido um deles e que a ele tinha sido revelado uma nova fórmula universal, para a qual os terráqueos estavam longe de estar preparados, tão presos que ainda estão aos moldes tradicionais. As guerras em nome de Deus, o racismo, a intolerância generalizada, o olho por olho, dente por dente, as guerras caseiras por causa das mais pequeninas coisas, as brigas entre amigos por causa de dez tostões e um sem número de outras coisas que o meu avô enumera, mostram bem o quanto temos de estar universalmente atrasados ou então nas faz sentido nenhum toda esta perfeição da natureza, toda a imaginação e o trabalho que se depreende da mais pequena célula do corpo humano à mais pequena gota dos oceanos. Até dá vontade de chorar se pensarmos neste atraso de vida, se conseguirmos ver de fora todas as nossas preocupações comezinhas e, principalmente, se nos confrontarmos com o facto de que a grande parte das pessoas que nos rodeiam nem sequer pensam nisso, quanto mais se debater com tal realidade. Juntos acreditamos, e deliramos com as nossas infinitas divagações, que este é apenas mais um estágio pelo qual a raça humana tem de passar, no caminho de uma maior elevação moral. Por favor - dizemos nós enquanto nos libertamos ao som de gargalhadas - a alma tem de conseguir voar mais alto do que preocupar-se quotidianamente com o "disse que disse", com o "ai fez, então vai ver" ou com o "eu sou muito bom, eu sou o melhor e eu é que sei".
Se não virmos tudo isto como um estágio, se não ousarmos acreditar que temos mais vidas para viver e outras épocas para percorrer, o que fazemos nós? Desatamos a chorar? Imaginamos que acordámos para o mundo no lugar e no tempo errado? Que houve um erro de programação? Sei lá, estou tão tenso com esta ideia do meu avô que até me perdi. Tudo para dizer que ainda nos parece tão esquisito conceber refeições à base de pílulas e filhos sem sexo (o que não quer dizer vida sem sexo) que apregoar esta teoria se assemelha a coletes de força em estados menos permissivos à liberdade de expressão. Mas agora só entre nós, pensem bem, acompanhem-nos sem preconceitos, de portas abertas, não era melhor se a vida fosse ao contrário?
O meu avô rompeu o meu silêncio que nem um torpedo. Parecia ter estado a preparar-se para a guerra, camuflado com as suas rugas, as suas sobrancelhas espessas e o cabelo branco ainda farto.
—Todas as pessoas têm medo de envelhecer. Há pessoas que têm mais medo de envelhecer do que morrer. Esta vida não está feita para os velhos, Filipe. Cada vez menos. E talvez as pessoas passassem a encarar a vida com menos medo e com mais paixão se a nossa vida fosse exactamente ao contrário.
Um arrepio de frio atravessou-me o corpo, como a pressentir que a conversa seria séria.
— Já pensaste alguma vez que, se fossemos de velhos a bebés, tudo faria mais sentido?
— Nunca estive perto de pensar algo semelhante - disse engolindo uma enorme gargalhada que se tivesse explodido naquele momento rebentaria na minha própria cara, pela fúria daqueles olhos imensos do meu avô.
— Pensa em mim, pensa noutros velhos, na dificuldade que temos em andar, em fazermos todo o tipo de movimentos. Nós temos a triste consciência que, por mais que nos dediquemos ao exercício, por mais que estejamos entregues aos fisioterapeutas, aos osteopatas, aos produtos naturais, à natação, às caminhadas pela manhãzinha, não vamos melhorar com o tempo. Mais triste ainda. Sabemos que do hoje para o amanhã é sempre a piorar. É uma caminhada inevitável esta da velhice e das maleitas do corpo.
— Não precisa de me estar a lembrar isso, avô.
— Agora imagina que a vida era ao contrário, tal como te propunha. Aí sim. Dedicávamo-nos ao exercício, entregávamo-nos a especialistas e cada dia que passava sentiríamos os frutos da nossa entrega: músculos cada vez mais fortes, a pele cada vez mais lisa e mais brilhante, o corpo cada vez mais torneado e mais flexível. Assim valia a pena o esforço!
Eu estava sem palavras. Estava certo que ele já tinha gasto muito dias a pensar nesta sua fórmula. Eu em dois minutos estava ainda, e apenas, embasbacado. O meu avô parecia um daqueles jovens entusiasmados numa manifestação Peace and Love contra a guerra do Vietname.
— Vê no caso das mulheres, Filipe! Vê as mulheres de meia-idade. Elas dão um duro danado para agradar os maridos. Passam horas nos cabeleireiros, gastam uma nota preta em cremes que professam a juventude perdida. E para quê? Põem creme todas as noites e, cada dia que passa, deparam inevitavelmente com um rosto cada vez mais velho, mais cansado, mais enrugado. Elas fazem tudo, para agradar os maridos, percebes? E eles andam a sonhar com as Lolitas que conheceram nesse dia. Não é irónico, Filipe? Eles querem é seios firmes nas palmas das mãos e peles doces e elas... por mais que se esmerem, nunca mais vão ter nenhuma das coisas.
O meu silêncio já não era de todo desafiador. Estava abismado com a profecia do meu avô. Com o seu desafio à ordem natural das coisas. Eu estava encolhido perante os relâmpagos que ele fazia estalar no ar com o seu dedo esticado. Eu calava-me perante as insondáveis ondas de calor que embalavam as suas palavras.
— Mais uma vez não seria mais lógico elas encherem-se de cremes e ficarem com a pele melhor, mais jovem, mais suave??? Faz algum sentido gastarem contos e contos na armadilha do tempo? Porem camadas de cremes e verem-se cada dia com mais rugas, com a pele mais áspera? Se a vida fosse ao contrário, a recompensa do esforço chegaria, mais uma vez. Os maridos, esses, viveriam apaixonados e não tirariam os olhos delas, sempre ansiosos pelo dia seguinte.
Siderado. Era a palavra que melhor me definia.
— Com o tempo elas ficariam mais belas, mais desejáveis, mais atraentes. Eles não poderiam perder nenhum passo desse processo. Nenhum dia. Elas teriam todas as atenções que mereciam.
De repente, surgiu-me uma questão imensa.
— As mães teriam filhos mais velhos! - quase gritei.
O meu avô sempre implacável. Imperturbável.
— Não são as filhas a cuidar dos pais quando eles ficam velhos? Seriam as mães!
— E veríamos os pais a ficarem cada vez mais novos?
— Não é uma melhor perspectiva do que vê-los a ficarem mais velhos?
— Não sei. E quanto ao conhecimento? Sabíamos mais quando nascíamos?
— Sim, o próprio conhecimento faz-nos desejar a ignorância ou não é? Quantas coisas desejaríamos não saber ou esquecer...? Assim aconteceria. No princípio da vida, quando velhos, teríamos todo o tempo dedicado à construção do mundo no campo teórico. Depois passaríamos da teoria à prática, porque nos tornaríamos mais jovens e com mais força para levar todas as ideias para a frente. Depois da realização, começaríamos a esquecer a razão, a dar prioridade à intuição e ao sentimento. Não te parece bem?
Ele estava preparado para tudo. Estava em guerra. Das meias tirava facas pontiagudas, do cinto tirava granadas, tinha armas escondidas por todo o seu fato de manchas verdes e castanhas. Seria difícil desarmá-lo. Sorri-lhe.
— Diz-me avô... quanto ao sexo?
— Ah... os teus olhos até brilham rapaz! - os dele também. — Pois então seria perfeito! No princípio da tua vida não terias capacidade para tal, mas os bebés também não têm, não é? O que seria diferente é que estarias a aperfeiçoar-te a caminho da juventude. Ou seja, quando jovem, na flor da idade, serias já um perito. E que melhor altura para se ser um perito? É bem melhor do que com uma idade bem avançada quando o corpo já não responde como gostaríamos...
Desta vez não consegui conter a gargalhada que se formava no meu espírito como uma bola de neve a provocar uma avalanche. O meu avô estancou, de entusiasmo partido.
— Desculpe vô, mas imaginei algumas cenas de amor bem ridículas.
— Parece-te menos ridículo imaginares as pessoas que querem muito, mas já não conseguem?
Eu não estava a ir contra a corrente, mas a soltar-me nela. Tudo aquilo provoca-me pensamentos delirantes.
O meu avô avançou para a janela. Ficou num silêncio tão profundo que eu até sentia dificuldade em respirar sem que me parecesse que estava a cometer o pecado de perturbar, com o som da minha respiração, tão resoluta hibernação. De repente, o ar encheu-se de novo da sua voz de trovão, quente, escura, deslizante como o seu sangue.
— Olha lá para a criançada! - levantei-me e fui para o pé dele de onde podia ver a miudagem no parque em frente. - Vês como estão felizes? E, no fundo, precisam de muito pouco. O que precisam mesmo é de afecto. De amor. Não achas que era uma boa perspectiva para fim de vida. As pessoas deixavam de ter medo de chegar a crianças! As pessoas são tão saudosistas, têm tantas saudades de quando eram crianças... Pois assim estariam a viver e a caminho de o ser.
— E quando fossem crianças? Eram os filhos a cuidar dos pais?
— Sim. Porque não?
— E aos bebés? Quem daria de mamar? - perguntei com um tom dito angelical, mas verdadeiramente carregado de ironia.
O meu avô não deixava escapar uma. Olhou-me com um sorriso malicioso, mas ao mesmo tempo doce, condescendente.
— Acho que essa é a parte menos coerente e menos trabalhada da minha teoria. Ainda não sei como iria ser. Talvez seja preconceito meu, mas ainda não estou a ver as filhas a dar de mamar aos pais. E não gostaria de erradicar esse momento tão importante da vida. Aliás, neste caso seria um momento final. Um momento bem reconfortante por sinal!
— Sim, isso é verdade. Desaparecer deste mundo a mamar. Interessante. Mas... não teríamos assim os dias contados? Já que se trata de uma contagem decrescente, não conheceríamos exactamente o dia da nossa morte?
— Não é que soubéssemos, porque poderíamos morrer a qualquer altura, tal como agora. Não era por ser uma contagem decrescente que seria diferente. O pior era se... mas... talvez não. Tratando-se de bebés, talvez nem tivéssemos noção de nada. Sim, porque não?
O meu avô sorriu de contentamento. Estava cada vez mais agradado consigo mesmo. Com esta ideia revolucionária, vinda de uma cabeça de cabelos bem brancos.
— Os jovens seriam mais conscienciosos, porque já sabiam o que aconteceria se não o fossem. Teriam esse conhecimento de antemão. - disse pondo o seu braço forte sobre os meus ombros, encolhidos face a tal revelação.
— E já viste eu aqui a olhar para ti e a pensar que seria como tu daqui a uns tempos? Já viste que bom que seria? - suspirou. — Que bela ideia a minha! E tu és a minha grande esperança... - apertou-me com mais força. — O cientista mais inteligente e mais promissor que eu conheço...
Eu ri-me, porque as melhores formas que conheço para aliviar a tensão é o riso e o choro. Eu ri-me, primeiro atrapalhadamente, depois afincadamente, e por fim tão solto que as lágrimas também me vieram aos olhos. O meu avô manteve-se calado, perscrutador, agradado com o facto de provocar uma tão vincada reacção.
— O avô é genial. É tão genial que vou deixar tudo como está... - disse-lhe ainda meio agarrado à barriga de tanto rir.
Aí olhou-me com um jeito tão sério que quase me intimidou, mas o balanço do meu riso permitiu-me continuar.
— Tão genial que não há melhor perspectiva para mim do que poder vir a ser tal como o avô. Por isso, só posso deixar tudo como está...
A sua expressão marcadamente dura iluminou-se como se todo ele pudesse ser um sorriso, sem sequer entreabrir os lábios à maneira convencional.
— Conseguiste provocar uma chuva de meteoros neste meu universo onde tudo se encaixava pacificamente... Confesso. Pensei-me tão bem preparado que me esqueci do contra-ataque mais simples: os sentimentos traem a razão constantemente... E nós não desenhámos os sentimentos. Apenas - e de uma maneira bem humana - acrescentámos alguns defeitos e pusemos na luz da ribalta muitos dos que deviam ter permanecido no escuro... Vês como é fácil deixar-me seduzir por um pirralho? E deixar-me levar pela vaidade, quando se trata de mudar o mundo?
E sorriu, agora de lábios bem abertos, um daqueles sorrisos puros maior do que as palavras e a sua mão quente enlaçou-me ainda mais como a garantir que eu não ia fugir e que, principalmente, nunca teria de assistir à minha partida, o que fatalmente aconteceria se imperasse a sua teoria.
Ana Teresa Silva, Em Contra-Mão, publicado na revista Egoísta em 2002.



Comentários